segunda-feira, 23 de maio de 2022

Capítulo 61

 

A missão do Messias – v. 1-3.

• Is 61: 1-3: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados [NVI: ‘libertação das trevas aos prisioneiros’]; a apregoar o ano aceitável do Senhor [NVI: ‘para proclamar o ano da bondade do Senhor’] e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto [NVI: ‘e dar a todos os que choram em Sião’] uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória”.

O profeta Isaías fala em nome de Jesus, o único que recebeu toda essa capacitação do Pai.

Quando nós falamos sobre as características do Messias, algumas delas eram mais importantes, sendo que pessoas comuns personificavam aqui na terra o verdadeiro Messias por vir. As características eram: o Servo sofredor (algumas vezes representado pelo próprio profeta em sua árdua missão no meio daquele povo incrédulo) e o conquistador ungido (na figura de Ciro ou Davi), ou seja, de um rei que virá para governar sobre judeus e gentios, executando a vingança de Deus contra Seus inimigos, se vestindo com a armadura da salvação (Is 59: 16-21) e derrotando-os completamente, redimindo Seu povo. No capítulo 63: 1-6 esse conquistador messiânico é um homem entre os homens, mostrando igualmente as qualidades do rei e do Servo, com os mesmos dotes espirituais deles. Ele também se mostra como o conquistador de Edom, uma tarefa que foi realizada apenas através de Davi: Nm 24: 17-19 (a ‘estrela de Jacó’ diz respeito a Davi); 1 Cr 18: 11-12; 2 Sm 8: 13-14; Sl 60 (Quando lutou contra os siros da Mesopotâmia – 1 Cr 18: 3 – e os siros de Zobá, e quando Joabe regressou e derrotou doze mil edomitas no vale do Sal) cf. Sl 108: 6-13. Como vimos em outros capítulos de Isaías, o conquistador ungido pode ser prefigurado em Ciro ou em Davi.

Aqui em Is 61: 1-3 nós podemos ver outra característica do Messias, que é alguém dotado do Espírito e da Palavra. Jesus assumiu esta profecia, como está escrito em Lc 4: 18-19: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que o Senhor me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor (NVI, ‘o ano da graça do Senhor’)”.

Então, Jesus, o Messias viria com a assistência do Espírito do Senhor, ou seja, ungido pelo Espírito de Deus a quem Ele chama ‘Senhor’, cf. Sl 110 e Mt 22: 44: “disse o Senhor ao meu Senhor (no Sl 110, esta palavra está escrita com letra minúscula, embora com o mesmo significado): Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés”. Sua missão seria pregar boas-novas aos pobres de espírito, que precisariam se fortalecer com a palavra de Deus, ou seja, o evangelho, cujo significado é ‘boas novas’ ou ‘boa mensagem’ (euaggelion, em grego, ευαγγελιον). Essa missão também envolvia: curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados [NVI: ‘libertação das trevas aos prisioneiros’]; a apregoar o ano aceitável do Senhor [NVI: ‘para proclamar o ano da bondade do Senhor’] e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto [NVI: ‘e dar a todos os que choram em Sião’] uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.

‘Os quebrantados de coração’ – refere-se aos que têm consciência do seu pecado e se sentem tocados por isso, ou seja, os que estão debaixo de um espírito de arrependimento e precisam do perdão de Deus para curar suas feridas interiores.

‘Proclamar libertação aos cativos’ – os que estão presos nas mentiras de Satanás por causa do pecado e que precisam conhecer a verdade para alcançar a libertação (Jo 8: 31-36). A boa nova trazida pelo Messias era que o cativeiro no pecado terminou, porque Jesus tinha chegado.

‘Pôr em liberdade os algemados [NVI: ‘libertação das trevas aos prisioneiros’]’ – o que inclui a libertação não apenas do cativeiro do pecado, como foi dito acima, mas a abertura do entendimento (‘abrir os olhos aos cegos’) daqueles que não sabiam que caminho seguir, pois o inimigo os cegavam com suas trevas de mentira, roubando deles a esperança na salvação e impedindo-os de se posicionar na terra em relação às decisões a serem tomadas na sua própria vida. A falta de entendimento em determinado assunto ou a falta de revelação de Deus onde precisamos é um cativeiro, e precisamos ser libertos dele. Da mesma forma que Oséias escreveu: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento” (Os 4: 6a), Isaías repete o mesmo pensamento em outras palavras: “Portanto, o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento” (Is 5: 13a). Por isso, está escrito em Pv 11: 9: “O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento” [NVI: ‘Com a boca o ímpio pretende destruir o próximo, mas pelo seu conhecimento o justo se livra’]. Isso diz respeito ao conhecimento que temos sobre a Sua vontade para nós através da Sua palavra, que nos dá o discernimento espiritual para seguirmos para um lado ou para o outro, escapando ilesos dos sofismas do inimigo. Também diz respeito ao conhecimento de nós mesmos, do quanto já estamos trabalhados pelo Senhor em uma determinada área da nossa vida, a fim de que possamos nos libertar das falsas acusações e das afrontas. Sabendo o que Deus tem para nós, estando conscientes do que Ele está fazendo em nosso favor não há o que possa nos enganar. Jesus veio para trazer esta clareza, pois o Seu Espírito dentro de nós ilumina nossas ações e nossos pensamentos.

‘Apregoar o ano aceitável do Senhor’ ou ‘o ano da bondade do Senhor’ – significando que Jesus viria para anunciar a eles uma nova dispensação, uma época (‘o ano’) onde Deus se mostraria favorável com o ser humano, desejando derramar Sua bondade sobre todos aqueles que quisessem a salvação (2 Co 6: 2) e a verdadeira libertação. Eles deixariam de ser propriedade de Satanás e voltariam a ser propriedade do Senhor, do seu Criador. Talvez possa ser feito um paralelo entre essa frase e o ano do jubileu em Israel, que ocorria a cada cinqüenta anos, quando os cativos eram libertos e as terras voltavam ao poder do seu antigo possuidor (Lv 25: 8-13; 28; 32).

‘O dia da vingança do nosso Deus’ – o dia que Deus escolheu para fazer o juízo definitivo sobre o mal, derrotando de uma vez por todas os inimigos do Seu povo, na Sua segunda vinda (2 Ts 1: 7-9; Ap 20: 10; 14-15).

‘A consolar todos os que choram’ – Jesus veio para trazer consolo aos que choram pelo seu afastamento de Deus por causa do pecado, pelas injustiças do mundo e pelo seu sofrimento devido às dificuldades naturais da vida. E o Seu consolo é algo palpável e presente, atual, não apenas uma promessa de consolação num futuro distante (na Nova Jerusalém espiritual – Mt 5: 4), como Jesus trouxe o consolo a Marta e a Maria pela morte de Lázaro, ressuscitando-o; trouxe o consolo a Jairo, pela morte de sua filhinha, ressuscitando-a; à viúva de Naim, pela morte do seu único filho, ressuscitando-o; trouxe o consolo à mulher pecadora que ungiu Seus pés, perdoando-a; à mulher Siro-Fenícia que estava desesperada por causa de sua filha endemoninhada, libertando a menina do demônio que atormentava; e tantos outros casos. Ele igualmente nos traz o consolo no momento em que não estamos mais agüentando a angústia e as opressões externas, quando nos sentimos urgentemente necessitados de um socorro financeiro ou quando estamos doentes e precisamos de ajuda. Ele usa, muitas vezes, corpos humanos como instrumento do Seu consolo. Nem sempre o consolo é uma palavra que aquieta os temores. Às vezes, o consolo precisa ser algo palpável, natural, físico, que vem para aquietar a alma aflita. As ressurreições de mortos realizadas por Jesus e citadas acima são um exemplo disso.

‘E a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória’ – essa promessa não só pode ser empregada como um consolo aos exilados que ainda choravam pela destruição de sua cidade ou que ainda esperavam a vinda do Messias para serem salvos e conhecer a verdade de Deus; é uma promessa para o povo do passado e para a igreja de hoje, a Sião espiritual de Deus, que chora e está de luto por algum tipo de perda: perda da fé, da esperança, da unção, perda da comunhão profunda com Deus, perda da liberdade de pregar livremente Sua palavra, pois foi impedida pelo inimigo. O Senhor promete remover as cinzas do luto e colocar na cabeça dos Seus guerreiros uma coroa de alegria, porque sempre há um escape, sempre há uma solução, sempre há um livramento. Ele vai trocar o pranto pelo óleo da alegria, pois Seu reino é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14: 17). A alegria é um fruto do Espírito (Gl 5: 22).

Ele vai dar uma veste de louvor, em vez de espírito angustiado – isso quer dizer que a angústia do peito pode ser removida quando colocamos nossa fé em ação, clamamos a Deus e vemos Sua resposta numa causa que parecia impossível, e isso nos leva a agradecer-Lhe, pois recebemos uma solução para o nosso problema. Por isso o apóstolo Pedro disse: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5: 6-7).

Em Fp 4: 6-7, Paulo escreveu: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”. Nosso Deus é um Deus de justiça, um Deus do hoje, do presente, que providencia o que necessitamos para cada dia da nossa vida, em todas as áreas dela. O que precisamos desenvolver para ver a nossa bênção materializada é justamente a fé; a fé aliada à perseverança, pois o reino de Deus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele (Mt 11: 12). Muitas vezes, ter fé em alguma coisa que nunca tivemos ou nunca vimos é um grande esforço, mas a bíblia também diz que sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11: 6: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”).

Resumindo: Deus não mudou. Ele não mudou Suas leis escritas no AT só porque Jesus veio. Jesus veio e cumpriu a lei, mas não a aboliu. Nele se cumpriram as profecias sobre a redenção de Israel através do Messias. Ele abriu para nós a realidade espiritual, ou seja, nos deu a consciência da necessidade de salvação da nossa alma e nos fez entender quem é o nosso verdadeiro inimigo. Mas não deixou de agir na terra, na matéria. A palavra de Deus continua viva. Jesus é Deus, e, portanto, é capaz de realizar todo tipo de milagre em todas as áreas da nossa vida. Se você tem dificuldade de entender isso, creia apenas. Nada vai ficar postergado para a nova Jerusalém. A justiça que muitas vezes nós gostaríamos de ver na terra vai ser feita, sim, por Ele. Lá na Nova Jerusalém o cumprimento de toda a palavra de Deus será pleno, mas Sua justiça, Seus milagres, Sua recompensa para nós é feita aqui na terra também. Em outras palavras: aqui nós conquistamos as pérolas. Lá, nós vamos receber a coroa completa e adornada com as pérolas que conquistamos aqui, em vida. Por isso, passamos as provas de aperfeiçoamento.

‘A fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória’ – o Senhor mostra o motivo da transformação mencionada acima: Ele coroa os enlutados, unge-os com óleo de alegria e põe sobre eles vestes de louvor para que eles sejam chamados ‘carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a Sua glória’. O carvalho é uma árvore do gênero Quercus, que tem vinte e quatro espécies na Palestina; por isso fica difícil determinar qual a espécie a que pertencem a palavras hebraicas como: ‘allâ, ’allôn (ou ’allown) e ’elâ. Esta última parece ser a mais usada na bíblia (’elâ).

carvalho era a árvore favorita sob cujas sombras os israelitas se assentavam (1 Rs 13: 14) ou sepultavam seus mortos (Gn 35: 8 e 1 Cr 10: 12). Sua madeira, embora dura, não era empregada em construção. Era usada na fabricação de remos (Ez 27: 6) e de imagens de escultura (Is 44: 14-15). Basã era região repleta de carvalhos (Is 2: 13; Ez 27: 6; Zc 11: 2). O amorreu era forte como os carvalhos (Am 2: 9). Algumas espécies são perenemente verdes, mas a maioria muda de folhas anualmente (Is 6: 13). É uma árvore vigorosa, de madeira dura, que vive muitos séculos. Portanto, simboliza poder, força, longevidade, estabilidade e determinação; e isso é o que o Senhor espera daqueles a quem Ele resgata e abençoa: que sejam firmes na prática da justiça; permaneçam enraizados no reino de Deus para mostrar a Sua presença diante dos ímpios e irreverentes e diante dos inconstantes, que por qualquer coisa voltam ao pecado porque não querem pagar o preço da santidade e da realização dos seus sonhos.

A bênção futura de Israel – v. 4-9.
• Is 61: 4-9: “Edificarão os lugares antigamente assolados, restaurarão os de antes destruídos e renovarão as cidades arruinadas, destruídas de geração em geração. Estranhos se apresentarão e apascentarão os vossos rebanhos; estrangeiros serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros. Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis as riquezas das nações e na sua glória vos gloriareis [NVI: ‘e do que era o orgulho delas vocês se orgulharão’]. Em lugar da vossa vergonha, tereis dupla honra; em lugar da afronta, exultareis na vossa herança [NVI: ‘Em lugar da vergonha que sofreu, o meu povo receberá porção dupla, e ao invés da humilhação, ele se regozijará em sua herança’]; por isso, na vossa terra possuireis o dobro e tereis perpétua alegria. Porque eu, o Senhor, amo o juízo e odeio a iniqüidade do roubo; dar-lhes-ei fielmente a sua recompensa e com eles farei aliança eterna. A sua posteridade será conhecida entre as nações, os seus descendentes, no meio dos povos; todos quantos os virem os reconhecerão como família bendita do Senhor [NVI: ‘são um povo abençoado pelo Senhor’]”.

Aqui são feitas promessas aos judeus devolvidos do cativeiro e que se estabeleceram novamente em sua própria terra, mas veremos um pouco mais adiante que, muito provavelmente, essa profecia se estendeu aos tempos do evangelho, quando a nova dispensação passou a ser espiritual. Talvez, possa ser aplicada aos crentes da nossa geração.

É prometido que as suas casas serão reconstruídas, suas cidades serão levantadas das ruínas em que se encontram há muito tempo, e eles reconstruirão seus lares e suas terras novamente. Eles vieram do exílio e reconstruíram.

‘Estranhos se apresentarão e apascentarão os vossos rebanhos; estrangeiros serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros’ – isso aconteceu, em parte, quando retornaram do cativeiro e tiveram ajuda de alguns povos por ordem de Ciro (Ed 1: 4; 6) e, provavelmente dos moradores da Mesopotâmia e da Assíria que haviam sido enviados para a Palestina para colaborar com os judeus, ou povos de outras terras que se estabeleceram em Israel depois do seu exílio, e agora ajudariam voluntariamente os judeus com seus rebanhos e suas vinhas. Os judeus, sem dúvida, se sentiram privilegiados após seu retorno, pois agora sabiam valorizar a liberdade e as suas propriedades, além de valorizar sua crença no Deus vivo, não mais nos ídolos. Embora tivessem reconstruído suas casas e o templo, essas construções foram bastante inferiores às que possuíam antes de serem cativos, entretanto, era motivo de júbilo para quem chegou a perder tudo. Eles tinham novamente sua porção de terra, a terra de Israel, e não eram mais estrangeiros nela como foram na Babilônia.

A promessa de Isaías para eles era de um estado de alegria duradoura, muito mais duradoura do que o cativeiro na Babilônia. Porém, essa alegria não durou tanto tempo quanto se pensava (pelo menos na área material), pois eles tiveram paz durante o domínio do império persa, mas logo depois, com o domínio grego de Alexandre o Grande e seus generais, Israel trocou várias vezes de mãos: primeiro, sob domínio ptolomaico (os Egípcios), depois sob domínio selêucida (os Sírios), revolução dos Macabeus numa transição para o período Hasmoneano e que, de forma alguma trouxe alegria ou paz para a nação; apenas guerras, revoluções, mortes e mais destruição e divisões internas no âmbito civil e religioso até o domínio romano e o nascimento de Cristo. Por isso, eu disse anteriormente que esta profecia foi mais direcionada aos crentes, mais especificamente, à parte espiritual da igreja, pois também a parte material, física, dos novos convertidos foi bastante assolada, perseguida, e sua alegria, de pouca duração. O que tem durado até hoje é a esperança de a salvação ser completada na segunda vinda de Cristo, bem como a realização plena da Sua justiça. Não estou dizendo que o profeta ou que Deus estava mentindo; somente que esta parte da profecia de Isaías passa a ter uma natureza bastante diferente das profecias iniciais, já mostrando que, a partir do retorno dos judeus do exílio Deus estava e estaria tratando com a humanidade em outros termos.

‘Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis as riquezas das nações e na sua glória vos gloriareis [NVI: ‘e do que era o orgulho delas vocês se orgulharão’]’ – quando Deus libertou Israel do Egito, Ele os separou para Ele (“Ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” – Lv 20: 26) e os chamou de um reino de sacerdotes (Ex 19: 6: “vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel”), significando, num sentido amplo, que através deles Suas leis seriam conhecidas entre as nações e eles trariam outros povos para Deus, como um sacerdote faz a ligação entre Deus e o povo e vice-versa. Para os crentes do NT essa lei continua a ser válida levando em conta que a Igreja de Cristo é o Israel espiritual de Deus: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2: 9).

Isso quer dizer que após o exílio, a posição dos judeus como mediadores entre Deus e os gentios voltaria a ser como foi planejada no início por Ele.

‘Em lugar da vossa vergonha, tereis dupla honra; em lugar da afronta, exultareis na vossa herança [NVI: ‘Em lugar da vergonha que sofreu, o meu povo receberá porção dupla, e ao invés da humilhação, ele se regozijará em sua herança’]; por isso, na vossa terra possuireis o dobro e tereis perpétua alegria’ – no lugar da vergonha que eles haviam passado durante o cativeiro (e até antes, por causa dos julgamentos de Deus contra a idolatria do Seu povo), eles teriam honra dobrada, assim como o regozijo de voltar a possuir a terra de Canaã. Aqui volta o comentário acima sobre a ‘alegria perpétua’, que passou a ser algo espiritual para os que entenderam o projeto de Deus através de Jesus. Apesar das circunstâncias externas, os crentes saberiam o que é a alegria da salvação e da companhia eterna do Espírito Santo. O que havia sido roubado deles seria restituído em dobro pelo Senhor, a mesma palavra (em Português) usada em Is 40: 2: “Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados”.

Em Is 40: 2 a palavra ‘dobro’ em hebraico é: kephel (Strong #3718), que significa: uma duplicata, dobro.
Em Is 61: 7 a palavra hebraica é: mishneh (Strong #4932), que significa, mais exatamente: uma repetição, ou seja, uma duplicata (cópia de um documento) ou uma dupla porção (em quantidade); por implicação, uma posição secundária, o próximo, segundo (ordem), o dobro, duas vezes mais.

Embora se tratando da mesma coisa, nós podemos até tentar explicar a diferença de palavras da seguinte forma: em Is 40: 2, o dobro (ou a duplicata) seria a quantidade de punição de Deus em medida dobrada à quantidade dos pecados deles.

E em Is 61: 7, o dobro corresponderia uma repetição, uma cópia do que tinham com Deus no início, antes de começarem a pecar e idolatrar imagens (como as tábuas da Lei foram escritas pela segunda vez para refazer o pacto). Seria uma aliança que estava sendo refeita entre eles e Deus; ou, então, uma porção dobrada (como a unção de Eliseu em relação a Elias) como uma maneira de compensar uma perda, uma necessidade ou um desejo de algo que foi conquistado com muita dedicação e esforço.

Na lei de Moisés está escrito:
Êx 22: 1; 4; 9: “Se alguém furtar boi ou ovelha e o abater ou vender, por um boi pagará cinco bois, e quatro ovelhas por uma ovelha... Se aquilo que roubou for achado vivo em seu poder, seja boi, jumento ou ovelha, pagará o dobro... Em todo negócio frauduloso, seja a respeito de boi, ou de jumento, ou de ovelhas, ou de roupas, ou de qualquer coisa perdida, de que uma das partes diz: Esta é a coisa, a causa de ambas as partes se levará perante os juízes; aquele a quem os juízes condenarem pagará o dobro ao seu próximo”.

Dessa forma, isso seria uma dupla recompensa para eles por todo roubo e vexame que sofreram nas mãos dos babilônios, como uma causa na justiça, onde se paga a indenização pelos danos morais sofridos pela vítima, ou seja, o litigante que primeiro deu entrada no pedido legal. A dupla riqueza que eles receberiam seria não apenas a posição de filhos de Deus, mas a bênção do primogênito (‘Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito’ – Êx 4: 22), que recebia a porção dobrada da herança do pai, em relação aos outros filhos (Dt 21: 17).

‘Porque eu, o Senhor, amo o juízo e odeio a iniqüidade do roubo; dar-lhes-ei fielmente a sua recompensa e com eles farei aliança eterna. A sua posteridade será conhecida entre as nações (no hebraico, gowy = gentios; nações, povos), os seus descendentes, no meio dos povos; todos quantos os virem os reconhecerão como família bendita do Senhor [NVI: ‘são um povo abençoado pelo Senhor’]’ – eles seriam reconhecidos pelos gentios como o povo escolhido de Deus.

Sião agradece a Deus pelo Seu retorno – v. 10-11.
• Is 61: 10-11: “Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com o manto de justiça, como noivo que se adorna de turbante [NVI: ‘qual noivo que adorna a cabeça como um sacerdote’], como noiva que se enfeita com as suas jóias. Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia [NVI: ‘Porque, assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente’], assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor perante todas as nações”.

Isaías fala aqui em nome da igreja judaica daquela época pós-exílio, abençoada pelo Senhor e consciente da salvação e da separação para Ele; para nós, é a igreja de Cristo, coberta pelo Seu sangue (salvação) e justificada do seu pecado (manto de justiça), da mesma forma que o noivo (Jesus) adorna sua cabeça e a noiva (a igreja) que se enfeita com suas jóias. Assim como o privilégio do sacerdócio é restaurado para a igreja, ao mesmo tempo o profeta compara a alegria da volta do Senhor a Sião com uma festa de casamento, onde Ele é o sumo sacerdote (o noivo com turbante), e a igreja (judaica) é a noiva.

O verbo ‘adornar’, em relação ao noivo, em hebraico é kahan (Strong #3547), que significa mediar em serviços religiosos; oficiar como sacerdote; figurativamente, colocar em regalia; enfeitar, embelezar, cobrir, ser sacerdote, fazer o ofício de um sacerdote, executar o ofício de um sacerdote, ministrar no ofício de um sacerdote. Assim, o turbante sacerdotal fala a favor da posição de sacerdócio da igreja de Cristo, levando Sua palavra viva aos quatro cantos da terra, como também é visto no próximo versículo: “Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia [NVI: ‘Porque, assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente’], assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor perante todas as nações”. Isso é falado em relação aos tempos messiânicos. Os que forem salvos (resgatados pela Sua justiça) louvarão o Seu nome.

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


Fonte: Seara Agape

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Isaías 57

Versículo 5

Inflamando-se - Queimando, isto é, com luxúria. Toda a linguagem aqui é derivada de relações adúlteras. O sentido é que eles eram muito viciados em idolatria e que usavam todos os meios para aumentar e estender sua prática. A Vulgata, no entanto, reproduz isso: 'Quem se consola'. A Septuaginta reproduz ', Invocando ídolos (παρακαλοῦντες parakalountes) ". חמם châmam é "aquecer; estar inflamado, ou queimar como com luxúria. ”

Com ídolos - Margem, 'Entre os carvalhos'. Hebraico, באלים bā'ēlı̂ym. Vulgata, In diis - 'Com os deuses.' Septuaginta, Εἴδωλα Eidōla - 'Ídolos'. Então os caldeus e os siríacos. O hebraico pode denotar 'com deuses', isto é, com deuses ídolos; ou pode denotar, como na margem, 'entre os carvalhos' ou nos terebintos, de איל 'ēyl, plural אילים 'ēylı̂ym ou אלים 'ēlym (o terebinto). Veja a palavra explicada na nota em Isaías 1:29. Kimchi e Jarchi aqui a traduzem pela "árvore terebinto." Lowth a processa, "Queimando com a luxúria dos ídolos;" e provavelmente esta é a interpretação correta, pois, se tivesse significado carvalhos ou árvore terebinto, a frase teria esteve “abaixo” (תחת tachath) em vez de "in" ou "with" (ב b).

Sob cada árvore verde - (Veja as notas em Isaías 1:29; compare Deuteronômio 22:2; 2 Reis 17:1; 2 Crônicas 28:4).

Matando as crianças - Ou seja, sacrificando-as aos deuses-ídolos. Isso geralmente era feito queimando-os, como quando foram oferecidos a Moloch, embora não seja improvável que eles às vezes fossem sacrificados de outras maneiras. Era um costume comum entre os adoradores de Moloch. Assim, é dito de Acaz 2 Crônicas 28:3, que ele 'queimou incenso no vale do filho de Hinom, e queimou seus filhos no fogo'. O mesmo é dito de Manassés, a quem a profeta provavelmente se refere. ‘E ele fez seus filhos passarem pelo fogo no vale do filho de Hinnom '(2 Crônicas 33:6; compare Jeremias 7:31). O mesmo foi praticado nos países do império babilônico 2 Reis 17:31 e, a partir de Deuteronômio 12:31, é evidente que era comumente praticado por nações pagãs. Os fenícios, de acordo com Eusébio (Praep. Evan. Iv. 16), e os cartagenos, de acordo com Diodorus Siculus (xx. 14), praticaram.

Nos vales - O lugar onde essas abominações eram praticadas pelos judeus era o vale do filho de Hinom (veja as referências acima); isto é, o vale de Josafá, situado ao sul e ao sudeste de Jerusalém. Uma grande estátua de latão oca foi erguida e o fogo foi aceso dentro dela, e a criança foi colocada em seus braços aquecidos e, portanto, morta. Os gritos da criança foram afogados pela música da תף tôph ou tambor de chaleira (veja as notas em Isaías 5:12, em que este instrumento é totalmente descrito) e, portanto, o nome do vale era Tophet.

Sob as fendas das rochas - Bosques escuros e sombreados, e cavernas profundas e sombrias eram os locais onde eram praticados os rituais abomináveis ​​das superstições pagãs (compare as notas em Isaías 11:1).

https://www.bibliaplus.org/pt/commentaries/4/comentario-biblico-de-albert-barnes/isaias/57/5


domingo, 15 de maio de 2022

Isaías 54

Isaías capítulo 54


Capítulo 54
Sião é novamente habitada – v. 1-5.
• Is 54: 1-5: “Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto e exclama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária do que os filhos da casada, diz o Senhor. Alarga o espaço da tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas. Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas [NVI: ‘seus descendentes desapossarão nações e se instalarão em suas cidades abandonadas’]. Não temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque não sofrerás humilhação [NVI: ‘Não tema o constrangimento; você não será humilhada’]; pois te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não mais te lembrarás do opróbrio da tua viuvez [NVI: ‘não se lembrará mais da humilhação de sua viuvez’]. Porque o teu Criador é o teu marido; o Senhor dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra”.

Deus volta a dizer que a Sua relação para com Israel é comparada a um vínculo matrimonial. Ele é o marido que defende Israel de toda humilhação e vergonha que ele (o povo de Israel) passou no cativeiro, onde se sentiu enviuvado e sem filhos. Os exilados que voltaram do cativeiro ainda se sentiam assim, como um povo estéril e solitário, como uma mulher abandonada, mas Deus os estimulava a cantar e se alegrar, pois sua descendência seria maior do que eles pensavam. Eles precisavam alargar sua maneira de pensar, alargar novamente a ‘tenda’ do seu coração e firmar bem as suas estacas, ou seja, se firmar na doutrina correta e no relacionamento sincero com Deus porque Ele iria fazer com que Jerusalém e as cidades de Judá que estavam desertas fossem novamente povoadas, e até com gentios. Os judeus também habitariam em outras nações e levariam o nome do Senhor a elas. Essa profecia fala muito ao povo que já voltou do cativeiro, mas se estende ao tempo do evangelho, onde Jerusalém ficou conhecida entre as nações por causa da nova doutrina de Jesus. Como a profecia em questão se segue ao sacrifício do Messias (Is 53), nós podemos dizer que ela se dirige também à Igreja Primitiva, recém-nascida, e que ainda não tinha frutos; em breve, esses frutos apareceriam, e seriam numerosos, como foram numerosos os cristãos que surgiram após o Pentecostes com o discurso de Pedro, e com a disseminação do evangelho em Samaria, Damasco e em outras regiões, antes do início do ministério de Paulo e, principalmente, depois, quando Cristo o levantou para a missão entre os gentios.

O Senhor se volta com compaixão para Sião – v. 6-9.
• Is 54: 6-9: “Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada [NVI: ‘uma mulher que se casou nova apenas para ser rejeitada’], diz o teu Deus. Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor. Porque isto é para mim como as águas de Noé; pois jurei que as águas de Noé não mais inundariam a terra, e assim jurei que não mais me iraria contra ti, nem te repreenderia”.

Deus se lembra do início alegre do Seu relacionamento com Israel como um marido se lembra de sua esposa com quem ele se casou na sua juventude. ‘Por breve momento te deixei’ se refere aos setenta anos de cativeiro, onde Ele os puniu por seus pecados e os fez sentir falta da Sua presença até que houvesse arrependimento. O povo que voltou do cativeiro tem a promessa de ser acolhido novamente pelo Senhor e não mais punido. Ele diz ao Seu povo que está se voltando para eles com misericórdia e que não mais os entregará à destruição. Ele os reunirá de todos os lugares para onde foram dispersos. O novo pacto que Ele faz com Seu povo é tão duradouro como o que Ele fez com Noé.

Sião é novamente reedificada e protegida – v. 10-17.
• Is 54: 10-15: “Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o Senhor, que se compadece de ti. Ó tu, aflita, arrojada com a tormenta e desconsolada! [NVI: ‘Ó cidade aflita, açoitada por tempestades e não consolada’] Eis que eu assentarei as tuas pedras com argamassa colorida e te fundarei sobre safiras. Farei os teus baluartes [NVI: ‘escudos’] de rubis, as tuas portas, de carbúnculos e toda a tua muralha, de pedras preciosas. Todos os teus filhos serão ensinados do Senhor [NVI: ‘pelo Senhor’]; e será grande a paz de teus filhos. Serás estabelecida em justiça, longe da opressão, porque já não temerás, e também do espanto [NVI: ‘pavor’], porque não chegará a ti. Eis que poderão suscitar contendas, mas não procederá de mim; quem conspira contra ti cairá diante de ti”.

Ainda que os montes e as colinas fossem sacudidos e removidos de seus lugares, ainda assim a fidelidade do Senhor não seria removida, nem a Sua paz, pois Ele tem compaixão de Sião. Ele reconhece a cidade aflita, açoitada por tempestades e não consolada, mas diz a ela que será reedificada, como se fosse com pedras preciosas, pois um novo espírito Ele está colocando dentro do coração de cada um dos Seus filhos, um espírito de humildade, temor do Senhor e sede de aprender a verdade. Eles serão ensinados pelo Senhor e, por isso, andando no caminho correto, eles sentirão paz. Em relação ao NT, essas pedras coloridas são símbolos de respeito, majestade, realeza, glória, riqueza, algo precioso, ‘enfeites’, isto é, dons espirituais derramados em abundância sobre todos os que experimentaram as tormentas, as destruições, choro e derrota, mas que mantiveram sua fé firme num Deus que não mente e que é capaz de se voltar com misericórdia para os que se arrependem e começam a buscá-lo de todo o coração; também reflete a glória da Nova Jerusalém espiritual (Ap 21: 18-21).

‘Serás estabelecida em justiça, longe da opressão, porque já não temerás,  e também do espanto [NVI: ‘pavor’], porque não chegará a ti’ – O povo que voltou do exílio pode ter uma certeza: sua terra será estabelecida pela justiça de Deus, o pavor estará removido para longe dela e não se aproximará mais de Sião. Seus governantes não mais os oprimirão, nem as nações estrangeiras. Alguém poderá até tentar criar uma contenda, ou tentar atacar os judeus, mas não será por obra de Deus ou por Sua vontade. Ele prossegue dizendo que quem conspirar contra eles cairá diante deles porque Deus está com eles para defendê-los.

A volta do exílio na Babilônia


Aqui é clara a promessa do reino Messiânico, pois na área material isso não aconteceu com Israel, nem mesmo com o término da construção do templo e dos muros de Jerusalém, quando houve muitas ameaças de interrupção dessas obras pelos povos que existiam na terra (Ed 3: 3; Ed 4: 4-6; 24; Ed 6: 6-7; 12; Ne 2: 10; 19-20; Ne 4: 1-3; 7-8; 15; Ne 6: 1-3); isso sem contar os impérios que dominaram a nação israelita no Período Intertestamentário. Era uma promessa para um tempo não tão próximo, mas que certamente viria. Deus os estava moldando para receber as realidades espirituais, características da nova dispensação que já estava preparada para eles. Nós podemos ver que a justiça é a característica do reinado do Messias (Is 11: 4-5; Sl 72: 2-4; Ap 19: 11). Com Jesus conosco já não há opressão, nem medo, nem pavor, pois o Seu amor não permite que isso chegue a nós (1 Jo 4: 18). Para suportar a oposição do mundo, por exemplo, a Igreja Primitiva estava muito revestida com o Espírito Santo, que dava aos apóstolos e discípulos, como Pedro, Estevão e Paulo, a coragem para responder a qualquer ameaça humana, seja de reis da Judéia, seja de imperadores ou governadores romanos, seja do Sinédrio.

• Is 54: 16-17: “Eis que eu criei o ferreiro, que assopra as brasas no fogo e que produz a arma para o seu devido fim; também criei o assolador, para destruir. Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás [NVI: ‘você refutará toda língua que a acusar’]; esta é a herança dos servos do Senhor e o seu direito que de mim procede [NVI: ‘e esta é a defesa que faço do nome deles’], diz o Senhor”.

Deus criou todas as coisas, o bem e o mal (Is 45: 7). Foi Ele quem criou o ferreiro para fabricar as espadas e as armas de guerra, mas eles só têm direito de usá-las quando Ele permite ou dá ordem a alguém para destruir. Os soldados estão sob Seu comando, portanto, não podem machucar o povo de Deus sem licença da parte Dele. Assim, Ele mesmo nos dá a defesa, colocando a palavra de poder em nossas línguas para recusar toda acusação e toda afronta contra nós, para condenar à morte toda palavra maldita de ameaça que puder tirar a nossa paz ou tentar destruir com pessimismo ou ostentação de poder ou qualquer outro subterfúgio o que estamos construindo; no caso dos judeus, por exemplo, a cidade de Jerusalém no tempo de Neemias. Deus deu a ele o discernimento necessário para rejeitar as palavras de ameaça, humilhação e chantagem que o inimigo tentou usar para parar a reconstrução dos muros. Neemias rejeitou e condenou tudo aquilo à morte, ou seja, anulou o poder de destruição dessas palavras malignas pela palavra de fé na promessa do Senhor. Da mesma forma, essa promessa é nossa, crentes em Cristo; e Paulo escreve isso nas Suas epístolas quando diz que o Senhor nos deixou as armas defensivas (a armadura de Deus) e as ofensivas (a espada, a palavra), para destruirmos todas as armas do diabo. Em 2 Co 10: 3-6 está escrito: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda a altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão”. E em 2 Co 6: 7 está escrito: “... na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas”.



Fonte: Searaagape

sábado, 14 de maio de 2022

Isaías 53:12 - ISAÍAS "VIAJA NO TEMPO" E FAZ UMA DESCRIÇÃO IMPRESSIONANTE DE JESUS CRISTO, O MESSIAS.

Em nossa leitura, meditação e reflexão, capítulo por capítulo, nós nos encontramos aqui no capítulo 53 e nas seguintes partes:
Parte IV – ISAÍAS E O JULGAMENTO BABILÔNICO – 40:1 – 66:24.
C. Os dois instrumentos de Deus para a restauração (44:24 – 55:13).
2. O plano de Deus para o seu servo – 49:1 a 55:13.
Como já dissemos, estamos vendo os planos de Deus para o seu Servo, depois de termos visto os seus planos para Ciro.
Foi também dividida essa parte, seguindo a estrutura já composta da BEG, em oito partes, para melhor estudo e compreensão da temática: a. Oráculo real acerca do servo – 49:1-13 – já vista; b. Debate contra a incredulidade de Israel – 49:14 – 50:3 – já vista; c. O salmo de confiança do servo – 50:4 – 11 – já vista; d. Debate sobre a compaixão e a retidão de Deus – 51:1-8 – já vimos; e. Lamento e respostas – 51:9 – 52:12 – já vimos; f. O servo sofredor e exaltado – 52:13 – 53:12 – terminaremos neste; g. Chamado a que Jerusalém louve – 54:1-17; g. O convite para ir – 55:1-13.
f. O servo sofredor e exaltado – 52:13 – 53:12 - continuação.
Em continuação, como já dissemos, ocuparemos dois capítulos, sendo este o segundo, com a reflexão sobre o servo sofredor e exaltado. Enfatizamos novamente, não sofredor no sentido de “coitadinho”, mas por causa da soberania de Deus a qual ele nos é exemplo.
Nos três primeiros versículos, Isaías descreve a humilhação e o sofrimento do servo que viria – parece até ter viajado no tempo - (Mc 9:12; Lc 24:27,46), o messias esperado, a semente da mulher que, em breve, esmagaria a cabeça da serpente, outro profeta semelhante a Moisés. 
São feitas no primeiro verso, perguntas retóricas que esperam uma resposta negativa (Jo 12:38; Rm 10:16). Embora muitas nações viessem a crer (52:15), a maioria não o faria. É como temos pregado em nossas oportunidades que nem toda pregação tem a finalidade da conversão dos corações por causa de que muitos deles estarão com seus corações endurecidos.
No entanto, o Israel eleito e convertido faria parte do nossa, em “nossa pregação”, como fazemos nós parte, nós os crentes do século XXI. A palavra pregação aqui vem da mesma raiz hebraica traduzida como "ouviram" de 52:15 e obviamente estão intimamente interligadas.
Darão crédito à “nossa pregação” todos aqueles que o Pai tem escolhido para crerem em seu Filho amado, cujos corações se acham ávidos pela justiça divina. A estes também se manifestará o braço do Senhor que por meio de sinais, milagres e maravilhas realizará o testemunho do Pai à Palavra da pregação.
Ele viria como um renovo que vai crescendo, como um broto que sai do caule ou da raiz de uma planta ao lado da planta principal. Em outro lugar Isaías afirma que o Messias cresceria do "tronco de Jessé" (11:1; veja 4.2). A metáfora indica que o servo viria de Israel e seria de origem humilde.
Como raiz de uma terra seca, sendo portanto, aparentemente pouco promissor. Como sem aparência nem formosura, ou seja, em termos humanos, o servo não teria uma aparência que causasse admiração seria obviamente desprezado e o mais rejeitado. Seria o Cristo alienado dos homens (49:7; Sl 22:6; Lm 1:1-3; 2:15-16), mas experimentado na dor e na angústia da existência humana. De fato, alguém que os homens esconderiam o seu rosto, de fato, mesmo odiado por muitas pessoas.
A opção do Senhor sempre foi pela simplicidade, pela humildade, pela modéstia de forma que sua atração não se daria pelo que se vê o qual é efêmero, mas pelo seu interior, pela sua essência. O seu objetivo não era atrair a atenção das pessoas pelas quais veio dar a sua vida pelo visível e aparente, mas pelo real e eterno poder de sua presença santa.
Nos versos de 4 a 6, vemos expressa a natureza vicária do sofrimento de Cristo, do sofrimento que resultou da queda de Adão bem como de pecados pessoais. Cristo sofreu de maneira substitutiva a punição pelos pecados do próprio povo de Deus (vs. 1) e eliminou do povo a consequência dos pecados (vs. 6,11-12).
Mesmo assim, essa passagem não garante saúde perfeita para os crentes durante a era atual. Podemos entender isso melhor pela explicação teológica dos momentos do “já’ e do “ainda não”.
Como vimos o Reino de Deus é uma realidade difícil de definirmos. Para uns é uma realidade futura, para outros ela já se estabeleceu, tentaremos conceituar o Reino de Deus seguindo o pensamento, que hoje é consenso entre os eruditos, que o Reino de Deus é tanto uma realidade presente, como uma esperança futura. A tensão do "já" e do "ainda não". Segundo as Escrituras o Reino de Deus já chegou com poder através de Jesus Cristo, ele se manifestou durante seu ministério, e se estabeleceu derrubando o reino do mal que controlava a existência humana. Mas ele ainda não chegou com toda plenitude. O governo de Deus ainda não alcançou toda a extensão da terra. Os homens ainda são rebeldes ao projeto eterno de Deus.
Quarenta anos atrás, Carl Henry, em seu livro The Uneasv Consciense of Modere Fundamentalism, tentava persuadir os evangélicos a darem mais atenção ao tema do Reino de Deus. Ele cria que se a mensagem do Reino era central na pregação de Jesus, deveria sê-lo na nossa. Este é uma alerta que deve soar aos nossos ouvidos ainda hoje.
Como podemos entender esta tensão do Reino, do "já e ainda não"? Oscar Culmann, usando uma terminologia da Segunda Guerra Mundial, introduz a noção do Dia D e o Dia V. Os aliados venceram os nazistas em uma batalha na Normandia, que ficou conhecida como o Dia D. Ali foi vencida uma batalha, não a guerra. Os nazistas só foram vencidos tempos depois, no confronto conhecido como Dia V. A grande invasão de Deus se deu no ministério de Jesus. A vitória foi na cruz do Calvário, onde segundo Paulo, Jesus despojou os principados e potestades, expondo-os ao desprezo público, (Cl 2:15). Mas, ainda falta vencer toda obra do mal, que será vencida na Segunda Vinda de Jesus. Nós vivemos a expectativa do intervalo, entre o Dia D e o Dia V.[1]
Cristo curará completamente aqueles que são seus quando ressuscitá-los de entre os mortos e der a eles um corpo glorificado (I Co 15:42-44; Hb 9:28).
Ele tomou as nossas dores e foi reputado por aflito - a maior parte de Israel nos dias de Jesus acreditava que ele mereceu o sofrimento que lhe foi infligido - e ferido de Deus.  
A Lei estipulava que "o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus" (Dt 21:23; cf. GI 3:13), mas a dor e a angústia de Jesus (vs. 3) foram em favor dos outros (Mt 8:17; cf. Rm 4:25; I Pe 2:24). A dor e o sofrimento que ele enfrentou não era para ele, mas para cada um de nós, os transgressores da lei de Deus.
Ele foi traspassado – vs. 5; Sl 22:16; Zc 12:10; Jo 19:.34 por nossas transgressões. Ele sofreu pelos pecados dos eleitos e por meio dele, fomos sarados. Isso nos leva a uma confissão de fé no sofrimento e na morte substitutivos do servo.
O Novo Testamento explica que o Servo garante cura espiritual agora e restauração física no final, quando ele voltar em glória (I Pe 2:24). Por terem sido curados, todos os santos de Deus podem considerar-se mortos para o pecado e livres para a causa da justiça (Rm 6:6; I Pe 2:24).
A morte do Servo é eficaz para todo o seu povo. Todo aquele que o Pai dá ao Filho, vai a ele (Jo 6:37). Embora a referência inicial aqui seja o povo de Deus – vs. 6 -, todos os seres humanos estão debaixo do julgamento divino (Gn 8:21).
Devemos nos lembrar sempre que foi o desvio de Israel que o levou ao julgamento do exílio. No entanto, o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós que nos dá uma imagem que retrata Deus como que lançando os pecados do seu povo sobre Cristo e transformando-o num sacrifício no lugar do povo (Lv 16:21; I Pe 2:24).
A morte de bezerros e de touros não poderia apagar os nossos pecados. Teria de ser um homem para morrer pelos homens, mas um homem que fosse perfeito e que estivesse disposto a dar a sua vida pela vida dos outros homens. Também teria de ser um Deus para satisfazer o próprio Deus em sua infinitude. Jesus Cristo, com suas duas naturezas era esse homem, era esse Deus.
Jesus Cristo foi verdadeiramente o Cordeiro de Deus (vs. 7; Jo 1:29; I Co 5:7; Ap 5:6,12; 13:8) em termos de sua obediência e submissão silenciosa (cf. Mt 26:63; 27:12,14; I Pe 2:23) e ainda continua a ser em sua condição glorificada (Ap 5:12; 13:8).
Ele poderia ter escolhido não obedecer ao seu Pai e deixar os homens em seu estado de pecado e sem salvação, mas entendeu, viveu e pregou que há um Deus soberano sobre os céus e sobre a terra que possui suas vontades e que é perfeito em seus caminhos.
Ao aceitar ser tratado de maneira tão cruel e sofrer calado, Jesus mostrou-se ser verdadeiramente o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.
Jesus foi julgado – vs 8 - de maneira desumana e desonesta, além de crucificado injustamente. Ele morreu sem filhos ("linhagem"), como alguém julgado por Deus (cf. 14:22). O Filho de Deus não teve filhos físicos, mas "gerou" uma "posteridade" espiritual depois de sua morte (vs. 10).
Ele bem poderia ter se unido a uma mulher e ter gerados filhos que seriam todos à sua imagem e à sua semelhança, uma nova raça, dentro da raça pecadora dos homens, mas preferiu os planos de seu Pai e este lhe deu, “gerou uma posteridade” numerosa, composta de seus irmãos, filhos adotivos do Pai celestial. Ele é tanto Pai celestial em sua divindade, como é irmão, pela sua humanidade.
Os israelitas ricos e iníquos confiavam em si mesmos (veja Sl 49:6,13; Pv 18:11; 28:11) e com frequência obtinham sua riqueza de maneira injusta (Pv 11:16; Jr 9:23; 17:11; Mq 6:12; Mt 12:23; Tg 5:21). Embora fosse sábio e justo, o Servo morreu sendo considerado criminoso (I Pe 2:22), crucificado entre dois ladrões e sepultado com o rico na sua morte.
Foi da vontade do Senhor – vs. 10 – esmagá-lo, fazendo-o enfermar até a morte. Cristo foi entregue à morte "pelo determinado desígnio e presciência de Deus" (At 2:23). A oferta pelo pecado fazia a restituição pelo dano causado a Deus (Lv 5:14-6.7; 7:1-7; 14:12; 19:21).
Ele se pôs como oferta pelo pecado e pode ver sua descendência espiritual que foi gerada após a sua morte (vs. 8; GI 3:26-29) oriundos de todos os tempos, nações e tribos ao redor do mundo. Como prolongaria ele os seus dias e veria a vontade do Senhor prosperar em suas mãos – vs. 10b -, senão, pela vida eterna que ele nos prometeu a qual ele recebeu do Pai a promessa?
Por isso ele veria o fruto do trabalho de sua alma e ficará muito satisfeito. Cristo, o justo – Rm 5:19 - tinha ciência do plano divino (52:13), de seu papel sacerdotal que poderia justificar e declarar alguém absolvido da culpa (53:4-6), pois seria ele um instrumento de perdão (vs. 12).
Como o grande Rei, o Senhor dividiu os espólios da vitória com o seu Servo triunfante (41:8; 52:13). O triunfo do Servo depois da morte contrasta fortemente com a sua humilhação antes e durante a sua morte. Ele entregou a si mesmo de maneira substitutiva e abnegada, num sentido de "derramar-se" pelos pecados dos outros (53:4; Lc 22:37; Hb 9:28; I Pe 2:.24).
Is 53:1 Quem deu crédito à nossa pregação?
                e a quem se manifestou o braço do Senhor?
                               Is 53:2 Pois foi crescendo como renovo perante ele,
                                               e como raiz que sai duma terra seca;
                               não tinha formosura nem beleza;
                                               e quando olhávamos para ele,
                                               nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.
                               Is 53:3 Era desprezado, e rejeitado dos homens;
                                               homem de dores, e experimentado nos sofrimentos;
                               e, como um de quem os homens escondiam o rosto,
                                               era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
                Is 53:4 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades,
                               e carregou com as nossas dores;
                                               e nós o reputávamos por aflito,
                                                               ferido de Deus, e oprimido.
                Is 53:5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões,
                               e esmagado por causa das nossas iniqüidades;
                                               o castigo que nos traz a paz estava sobre ele,
                                                               e pelas suas pisaduras fomos sarados.
                Is 53:6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas,
                               cada um se desviava pelo seu caminho;
                                               mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade
                                                               de todos nós.
                Is 53:7 Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca;
                               como um cordeiro que é levado ao matadouro,
                                               e como a ovelha que é muda
                                                               perante os seus tosquiadores,
                                                                              assim ele não abriu a boca.
                Is 53:8 Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado;
                               e quem dentre os da sua geração considerou
                                               que ele fora cortado da terra dos viventes,
                                               ferido por causa da transgressão do meu povo?
                Is 53:9 E deram-lhe a sepultura com os ímpios,
                               e com o rico na sua morte,
                                               embora nunca tivesse cometido injustiça,
                                                              nem houvesse engano na sua boca.
                Is 53:10 Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo,
                               fazendo-o enfermar; quando ele se puser
                                               como oferta pelo pecado,
                                                               verá a sua posteridade,
                                                                              prolongará os seus dias,
                                               e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.
                Is 53:11 Ele verá o fruto do trabalho da sua alma,
                               e ficará satisfeito; com o seu conhecimento
                                               o meu servo justo justificará a muitos,
                                                               e as iniqüidades deles levará sobre si.
                Is 53:12 Pelo que lhe darei o seu quinhão com os grandes,
                               e com os poderosos repartirá ele o despojo;
                                               porquanto derramou a sua alma até a morte,
                                                               e foi contado com os transgressores;
                                                               mas ele levou sobre si o pecado de muitos,
                                                                              e pelos transgressores intercedeu.
Ele foi contado com os transgressores - uma mesma palavra hebraica traduzida como "revoltados" em 1:2 (Mt 27:38; Lc 22:37; 23:33), mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pode pelos transgressores interceder. Nosso Salvador-Mediador orou pelos pecadores (Lc 23:34; Hb 7:25) e desejou-lhes a salvação, mesmo quando irracionalmente o feriam e o agrediam, ali na cruz do Calvário.
A Deus toda glória! p/ Daniel Deusdete –
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segunda-feira, 2 de maio de 2022

Isaias 41

41.1—42.17 — Nessa profecia, o Senhor leva as nações a juízo para mostrar-lhes que só Ele é Deus porque só Ele pode prever o futuro. O julgamento tem dois ciclos (Is 41.1-20; 41.21—42.9) seguidos de um hino de louvor (Is 42.10-17). Em cada ciclo do julgamento, há três elementos:


(1) convocação às nações para o julgamento (Is 41.1,21-24);
(2) previsão da vinda de Ciro (Is 41.2-7,25-29);
(3) comemoração das vitórias do Servo (Is 41.8-20; 42.1-9).

41.1 — Calai-vos. As ordens de silêncio provenientes de Deus geralmente anteveem o juízo (Sf 1.7). As ilhas incluem a Lídia, na Ásia Menor, que foi conquistada por Ciro (Is 51.5). Renovem as forças é uma ordem que induz à comparação entre a força que resulta da fé e a força humana, que age independentemente.

41.2 — Foi Ciro, rei da Pérsia (559—530 a.C), quem Deus suscitou do Oriente (Is 46.11). Por causa do pacto que fez com Abraão (v. 8), Deus libertará todo exilado justo, sinônimo de salvação em Isaías (Is 45.8; 46.13; 51.6; 56.1). Deus, que tem autoridade sobre as nações, deu as nações a Ciro como resgate por Israel (Is 43.3).

41.3 — Ciro avançará tão rápido que será como se seus pés não tocassem o chão.

41.4 — O primeiro [...] os últimos. Veja referências semelhantes a respeito da supremacia de Deus por toda a eternidade em Isaías 44.6,10; Hebreus 13.8; Apocalipse 1.8,17. O Senhor é eterno não só pelo fato de não estar restrito ao tempo, mas também por ser o Senhor do tempo. Eu mesmo. Veja aplicações semelhantes dessa expressão em Isaías 43.13; 46.4.

41.5 — O pronome o refere-se às conquistas de Ciro (v. 2,3).

41.6 ,7 — Esse versículo ironiza a confiança nos ídolos em detrimento da ajuda certa que provém do Deus verdadeiro (v. 10-16). O ourives trabalhava no ídolo que ele imagina ser capaz de salvar o povo. Veja uma referência a uma profissão semelhante em Isaías 40.19. Aqui, a palavra coisa e o pronome o referem-se a um ídolo (Is 2.8).

41 .8 — O servo é uma pessoa honrada pelo Senhor. Não há posição mais alta que o ser humano possa desejar. O título foi concedido à pessoa eleita para administrar e fazer prosperar o Reino de Deus (Êx 14.31; 2 Sm 3.18). Nos capítulos 40—55, o título de servo é dado implicitamente a Ciro (Is 45.1-4) e explicitamente aos profetas de Deus (Is 44.26), à nação de Israel (Is 44.21; 45.4) e em especial ao Senhor Jesus Cristo (Is 42.1-4; 52.13). O Senhor chama Abraão de amigo (Gn 18.17,18; 2 Cr 20.7; Tg 2.23).

41.9 — A expressão os confins da terra provavelmente é uma alusão à Mesopotâmia (Gn 11.31; 12.1) ou ao Egito (Gn 15.13). O termo indica o reinado soberano de Deus sobre a terra (v. 4). O Senhor castigou Israel (v. 18-25), mas não o rejeitou (Is 29.22-24).

41.10 — A ordem do Senhor aos israelitas, não temas, contrapõe-se à ameaça dos pagãos nos v. 5,6. Deus mostrou Sua destra no primeiro êxodo quando destruiu o poder do faraó (Ex 15.6). A expressão indica Sua supremacia e poder sobre todos os que se opõem a Ele (Is 40.10).

41.11,12 — O povo de Deus recebe nova garantia de que os poderosos inimigos serão reduzidos a nada (Is 40.17,23).

41.13 — O Senhor segurará a mão direita do exilado (Is 42.6), assim como segurou a mão de Moisés (Is 63.12). O Senhor é com eles; nada têm a temer.

41.14 — O Israel exilado parece tão frágil e espezinhado quanto um bichinho (Jó 25.6; Sl 22.6). O redentor era o protetor dos parentes desamparados, que vingava os assassinatos (Nm 35.19) e resgatava os escravos temporários (Lv 25.47-49). O redentor também podia comprar terras para um parente ou casar com a viúva cujo primeiro marido não tivesse tido filhos (papel de Boaz, no livro de Rute). Para o Senhor, o título de Redentor ressalta Seu empenho em defender, proteger e resgatar Seu povo e trazê-lo para junto de si (Is 49.26).

41.15 — O bichinho insignificante (v. 14) será transformado em trilho novo (Is 28.27), capaz de moer os montes, símbolo de oposição, onde eram construídos os templos pagãos e os palácios (Mq 1.3-5).

41.16 — Fadejarás. Assim como o cereal malhado é jogado para o ar a fim de ser separado da casca, o povo vitorioso de Deus terá total controle sobre os inimigos.

41.17 — Os aflitos e necessitados são os exilados que atravessam o deserto em direção à terra natal. Deus saciará as necessidades mais elementares do povo, como a sede. Veja outra referência a esse assunto em Isaías 44-3.

41.18 — Rios[...] fontes[...] tanques de águas[...] mananciais. No primeiro êxodo, o povo de Israel vivia preocupado com o abastecimento de água (Ex 17.1; Nm 20.2). Os exilados, durante o retorno, o segundo êxodo, também precisarão de água (v. 17), mas a provisão de Deus será abundante.

41.19 — O abundante suprimento de água no deserto levará o Senhor a plantar várias espécies de árvores e vegetais (Is 35.1,2).

41.20 — A principal preocupação é a recepção do povo ao poder e ao zelo de Deus. A mão de Deus representa Seu poder (Is 40.10; 41.10). Criou. Só Deus pode criar verdadeiramente (Is 4-5; 40.26).

41.21 — Rei de Jacó é um título de Deus que ilustra um relacionamento especial com Seu povo (Is 43.15).

41.22 — As coisas passadas são, provavelmente, as profecias de juízo anunciadas por antigos profetas e alguma das profecias de Isaías registradas nos cap. 1—35. (Is 42.9,21-25; 43.9,10; 46.8,9; 48.3). O fim delas também poderia ser traduzido como seu futuro glorioso. A expressão as coisas futuras pode ser uma referência aos poderosos atos que Deus operará por meio de Ciro. Em última análise, as coisas futuras culminam na reunião do povo de Deus e no estabelecimento do reino de Cristo na terra. A mensagem é de que os ídolos não conseguem ver o passado nem o futuro, mas Deus pode.

41.23 — Sois deuses. Trata-se de uma ironia, como nos versículos 21,22. Fazei bem ou fazei mal é uma forma de dizer: Fazei o que quer que seja.

41.24 — O advérbio eis alude a um período de silêncio entre o versículo 23 e o 24. Os supostos deuses são mudos. Abominação é algo que causa repulsa.

41 .2 5 ,2 6 — A um do Norte [...] desde o nascimento do sol. A conquista da Média por Ciro (550 a.C.) deu-lhe o domínio todos os territórios ao norte de Babilônia. Ciro, apesar de não conhecer a Deus pessoalmente (Is 45.4), evocou o nome de Deus ao libertar os exilados (2 Cr 36.23; Ed 1.1-4).

41.27 — O verbo estão trata das coisas passadas e das coisas futuras (v. 22). O anunciador de boas-novas é o profeta Isaías.

41.28,29 — Esses versículos denunciam a futilidade das nações: elas não têm nenhuma compreensão verdadeira da realidade — passada, presente ou futura (v. 26)

Resumo do livro: "A Narrativa do Controle" de Saúde Margan

"A Narrativa do Controle" (ou "La Narrativa del Control" na versão original em espanhol), de Asier Magán. O ...